“Gunnar Vingren era um homem consagrado a Deus cuja vida foi uma vez para sempre colocada sobre o altar e ele jamais retirou dali essa sua oferta. Um santo fogo estava aceso em sua alma e ardeu durante toda a sua vida, até que ele foi “consumido” por esse mesmo fogo”. 

Daniel Berg e Gunnar Vingren, chegaram ao Brasil, Belém  do Pará, no dia 19 de novembro de 1910.  

Ao desembarcarem não havia ninguém para receber os dois missionário suecos. Sem destino certo, acompanharam a multidão ao centro da cidade. Os dois missionários viam desfilar pelas ruas “pessoas mal vestidas, os leprosos a desfilar seus corpos mutilados, apresentando pungente espetáculo pelas ruas” .    
            
No mesmo dia em que chegaram, hospedaram-se num modesto hotel onde consumiram os seus 16 mil réis que ainda possuíam . Não tendo mais como pagar, não restou nenhuma outra alternativa a não ser deixar o apartamento. Foram, de bonde, em direção à casa do pastor metodista Justo Nelson, que os indicou ao pastor Erik Nilson, pastor da Igreja Batista de Belém.  
                                                                                                
No período da chegada dos missionários e da inauguração da AD no Brasil o país vivia um momento político conturbado. A AD foi fundada no período do Marechal, apoiado pelos fazendeiros de café, Presidente Hermes da Fonseca (15/11/1910 – 15/11/1914), tendo a igreja que conviver com a “república dos coronéis” – latifundiários que formavam as oligarquias estaduais e regionais; fraudavam as eleições, punham o Exército e a polícia contra a população que se revoltava – mandavam em tudo e em todos (...). Nesse período apenas 3% dos brasileiros podiam votar, o que equivalia a três em cada cem brasileiro, e a grande maioria era analfabeta. Os 3% que votavam era os maiores de 18 anos alfabetizados.                                                                                                                                                                                
Os dois missionários foram convidados a morarem no porão da Igreja Batista, localizada na Rua Balby n. 406. Depois, em Boca do Ipixuna, às margens do Rio Tajapuru, hospedaram-se durante alguns meses na casa do presbiteriano Adriano Nobre. Dormiram no mesmo quarto onde morava o irmão Adriano Nobre, primo de Adriano, o primeiro professor deles de língua portuguesa. 

Os missionários precisavam de sustento, por isso, Daniel Berg, forte e robusto, arranjou emprego de fundidor no antigo Port Of Parh (hoje dividida em Cia. Docas do Pará e ENASA), e Gunnar Vingren dedicava-se ao estudo do idioma. A noite transmitia a Daniel o que havia aprendido.

As irmãs Celina Albuquerque e Maria de Nazaré creram na mensagem pentecostal e receberem o batismo no Espírito Santo. Criou-se, então, uma discussão na igreja, que culminou na expulsão de 21 membros, Vingren e Berg eram dois dessa estatística pentecostal.

Em 18 de junho de 1911, nascia a Missão de Fé Apostólica, que em 11 de janeiro de 1918 mudou de nome, sendo registrada oficialmente como Assembleia de Deus. Era uma igreja sem vínculos estrangeiros, genuinamente autóctone .

Durante a época em que pastoreou a igreja em Belém, no Pará, Vingren visitou por duas vezes a Suécia, passando pelos Estados Unidos. Em 1 de agosto de 1917, na sua primeira viagem, conheceu a enfermeira Frida Strandberg, que contou-lhe ter também uma chamada para o Brasil. Em 16 de outubro de 1917, em cerimônia presenciada por Samuel Nystrõm  e esposa, Gunnar e Frida casaram.

O pastor Vingren, cônscio de que era não apenas necessário registrar os principais eventos pentecostais, mas como também plausível que as Assembleias de Deus tivessem o seu próprio periódico, em 1918, em Belém do Pará, fundou o a revista (jornal) Boa Semente, durante o ano de 1930, no Rio de Janeiro, o jornal Som Alegre, e somente em 1930, por resolução da Convenção em Natal, Vingren une os dois jornais criando o órgão oficial da Assembleia de Deus no país, o jornal Mensageiro da Paz, o primeiro número foi editado em 1 de dezembro de 1930, no Rio de Janeiro .

Apesar das inúmeras e agravantes crises de enfermidade que sofreu, Vingren, durante o período em que esteve no Brasil, esmerou-se arduamente no trabalho do Senhor, antes de sua partida definitiva para a Suécia. Após uma viagem cansativa, escreveu: 

“Depois desta viagem cansativa, cheguei aqui bastante abatido. Sinto-me totalmente acabado. Tenho vontade de trabalhar para Jesus, mas faltam-me as forças. Quando estive em Santa Catarina, fiquei muito enfermo do estômago, pois a comida ali me fez mal. Fiquei também muito gripado e doente no peito, pois tive de voltar de um batismo com a roupa toda molhada e havia um vento muito frio. Mas o Senhor me ajudou. Porém, entendo que, se eu continuar assim, vou em breve terminar a carreira” .

No dia 15 de agosto de 1932, Vingren retornou à Suécia. No Rio de Janeiro, deixou a igreja sob a responsabilidade do pastor Samuel Nyström. Durante os nove anos que pastoreou a igreja no Rio, esta cresceu muito mais do que qualquer outra no Brasil durante aqueles anos. 

Na Suécia, enquanto não partia para o Céu, participava dos cultos da igreja de Estocolmo, onde celebrou sua última vigília de ano-novo. Em junho de 1933, foi com a família para uma colônia de descanso em Tallang, onde terminou seus dias. Gunnar Vingren faleceu às 14:45 hs, do dia 29 de junho de 1933.

Sua esposa, Frida Vingren, testemunhou seu falecimento: 


“No dia 27, entre cinco e seis da manhã, ele recebeu a chamada para o Céu. Então, com os braços levantados, exclamou: ‘Jesus, como tu és maravilhoso. Aleluia! Aleluia!’ Enquanto estava sob esse poder, leu os quatro primeiros versículos do Salmo 84:                                                                      

 “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!”. A minha alma está anelante, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. Até o pardal encontrou casa e a andorinha ninho para si e para a sua prole, junto dos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. Bem-aventurados os que habitam em tua casa: louvar-te-ão continuamente!’                                                                                                                                 

Depois dessa experiência, viveu ainda por dois dias, quando várias vezes disse que tinha saudade de ouvir o cântico dos anjos. Uma vez sentou-se na cama, levantou os braços e louvou a Deus, pois sentiu-se maravilhosamente livre” .

Antes de Vingren morrer, deixou a seguinte mensagem aos irmãos brasileiros:

“Diga-lhes que eu vou feliz com Jesus. E, como um pai em Cristo, exorto a todos a receber a graça de Deus, que quer operar mais santidade e humildade, para que possam receber os dons do Espírito Santo. Somente desta maneira a Igreja de Deus poderá estar preparada para a vinda de Jesus!” .

A elegia fúnebre se fez na igreja Filadélfia, em Estocolmo, Suécia. Cerca de mil e trezentas pessoas participaram da cerimônia. Diversos irmãos deram testemunhos da vida e obra desse intrépido homem de Deus.
    
 “Gunnar Vingren era um homem consagrado a Deus cuja vida foi uma vez para sempre colocada sobre o altar e ele jamais retirou dali essa sua oferta. Um santo fogo estava aceso em sua alma e ardeu durante toda a sua vida, até que ele foi “consumido” por esse mesmo fogo”.
                                     
Autor:  Nils Kastberg

Fonte: Esdras Bentho - CPAD

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Pr. Antonio Romero Filho

{picture#http://imagizer.imageshack.com/img922/3226/HlUzqY.jpg} Presidente da Assembleia de Deus - Ministério de São Lourenço - MG - Brasil. Fundador do CIM - Centro Internacional de Missões. Pioneiro de Missões do Ministério de Taubaté - SP - 1981/2001 - Diretor responsável pelo Portal CNB. {facebook#http://facebook.com} {twitter#http://twitter.com} {google#http://google.com} {pinterest#http://pinterest.com} {youtube#http://youtube.com} {instagram#http://instagram.com}
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