O então jovem e vaidoso José Ezequiel da Silva recebeu Jesus Cristo como seu Salvador pessoal em 1940. Naquela época, o mundo ainda estava mergulhado na Segunda Guerra Mundial e os valores eram outros, mas no que diz respeito a uma pessoa como o professor de dança que alegrava as rodas de amigos com a sua desenvoltura, agora a sua postura mudara totalmente. Apesar dos apelos dos amigos para que voltasse a ser como era antes, tais manifestações resultaram inúteis, uma vez que José Ezequiel havia encontrado algo muito melhor do que as alegrias passageiras que os saraus podiam proporcionar.
Natural de Tarumirim (MG), região da Zona da Mata, o pastor José Ezequiel da Silva completou 100 anos de vida e 75 de fé, celebrados no dia 10 de abril deste ano. A longa trajetória do homem que desafi ou uma época em que os evangélicos ainda eram discriminados e o Evangelho aos poucos embrenhava-se na população brasileira devido aos esforços de missionários estrangeiros e evangelizadores nativos é narrada nesta entrevista concedida ao Mensageiro da Paz.                                                                      
Aqui ele fala da oposição que teve que enfrentar por ser um professor de dança e ter abandonado a carreira para servir Jesus, como através da oração a sua fi lha, que estava praticamente morta, voltou a viver; e como se deu a sua vocação ministerial. O seu testemunho enriquecerá a alma do leitor, pois vemos o cuidado de Deus na vida de seu fi lho em todos os momentos difíceis.
Como foi sua infância junto à família?
Eu nasci em Tarumirim, Minas Gerais, que em tupi guarani quer dizer “pequeno céu descoberto”, no dia 10 de abril de 1915. Meus pais se chamavam Maria Francisca de Jesus e Pedro Marcelino. Quando ainda criança, aos seis anos de idade, eu percebi a grande difi culdade e necessidade de minha mãe, devido a meu pai tê-la abandonado. Por essa razão, desde pequeno não hesitei em sair para trabalhar para ajudar em casa. Na minha adolescência, trabalhei como tropeiro, conduzindo juntas de burros para transportes de mercadorias para outras regiões da Zona da Mata mineira.
Diga-nos como aconteceu a sua conversão.
Quando jovem, gostava de vestir-me muito bem em trajes da época, como linho fi no, sapatos de couro alemão; usava perfumes sofi sticados, frequentava diversos bailes da região, e através da dança pude obter o título de “professor de dança”. Junto com alguns amigos da época, que participavam como músicos, sanfoneiros e violonistas, assim como eu, fazia serenatas, cantava nos bailes a noite toda.                                                
Desfrutava de um bom prestígio diante de diversas famílias como um jovem educado, respeitador e trabalhador; mas eu sentia falta de algo que preenchesse o vazio da minha alma. Aconteceu certo dia, que um de meus companheiros de trabalho me convidou para fazer uma visita a uma igreja evangélica onde, segundo ele, havia moças bonitas. Ao chegarmos à igreja, localizada a Rua São Paulo, em Belo Horizonte, fomos muito bem recebidos. No decorrer do culto com belos hinos e a mensagem pregada, esquecemos até das moças.
Após a mensagem o pregador fez o apelo, perguntando se alguém desejava aceitar a Cristo como salvador. Senti um grande desejo de levantar o braço e ir à frente, mas senti como se meus braços estivessem acorrentados. Não aceitei naquela noite. Mas voltando em outra oportunidade, O aceitei como meu Salvador. Isso foi no ano de 1940. No dia 31 de dezembro de 1941, na mesma igreja, fui batizado nas águas pelo missionário sueco Algot Svenson.
Ao se converter, o senhor enfrentou muita oposição?
Oposição era comum naquela época. Pelo fato de eu ser professor de dança, a oposição foi muito grande pelos amigos, tentando tirar-me dos caminhos do Senhor; a família, nem tanto.
Como se deu sua vocação ministerial?
Inicialmente, um dos primeiros trabalhos realizados foi quando eu estava em serviço militar e fui enviado para a cidade de Aquidauana (MT), por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Nas horas de folga eu fazia evangelismo e distribuição do jornal Mensageiro da Paz. Fruto desse trabalho, hoje existe uma grande Assembleia de Deus naquela cidade. Com o término da guerra fui transferido para a cidade do Rio de Janeiro, onde conheci a Assembleia de Deus de São Cristóvão, pastoreada pelo missionário suéco Samuel Nystron. 
Posteriormente retornei para Belo Horizonte, à minha igreja de origem, onde recebi o batismo no Espírito Santo no dia 11 de abril de 1946, confi rmando meu chamado para exercer o ministério da Palavra Conte como o senhor foi elevado ao pastorado.
Nos idos de 1951, o casal de missionários Walter e Elisabeth Goodband estava orando há dois anos para o Senhor enviar um pastor para a igreja em Taubaté (SP), devido ao fato de que eles precisavam retornar à Suécia. Era um sábado, quando cheguei à cidade de Taubaté. Ao me dirigir à igreja e me identificar com servo de Deus, o casal Goodband pediu licença e foi orar, quando Deus falou-lhes audivelmente: “Esse meu servo que chegou é aquele que vocês estão me pedindo há dois anos. Ele veio para substituí-los e será o pastor da igreja.                                                                                                                 
Vocês voltem para a sua terra para descansar de seus trabalhos”. Depois de alguns anos trabalhando com os missionários Goodband, exercendo a função de presbítero, sendo professor de Escola Dominical e vice-presidente da igreja, fui consagrado ao santo ministério como pastor em 13 de fevereiro de 1955, e no dia 22 de junho de 1955 recebi a presidência da Assembleia de Deus, Ministério de Taubaté, permanecendo no cargo até 22 de setembro de 2011, quando solicitei jubilação, devido a idade avançada, renunciando a este tão honrado cargo, passando a exercer a função de presidente de honra.
O senhor foi funcionário do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), mas teve que abrir mão do emprego. O que aconteceu daí em diante?
Realmente, como a igreja contava com um número pequeno de membros, e todos de poder aquisitivo baixo, foi realmente necessário trabalhar para sustentar a família que era numerosa, porém, com o passar dos tempos, houve a necessidade de dedicar o tempo integral à igreja.
Cite uma experiência marcante ao longo de seu ministério.
Entre tantas vividas, uma experiência marcante foi quando uma das minhas fi lhas estava praticamente morta e nós estávamos sem recurso algum para medicá-la. Falando com a irmã Teresa, minha esposa, eu disse: “Nossa filha não pode morrer”. Então, orando a Deus, o Senhor respondeu instantaneamente, curando-a totalmente.
Fonte: CPADNEWS
http://www.cpadnews.com.br/mensageiro-da-paz/28903/entrevista-com-o-pastor-jose-ezequiel.html

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Pr. Antonio Romero Filho

{picture#http://imagizer.imageshack.com/img922/3226/HlUzqY.jpg} Presidente da Assembleia de Deus - Ministério de São Lourenço - MG - Brasil. Fundador do CIM - Centro Internacional de Missões. Pioneiro de Missões do Ministério de Taubaté - SP - 1981/2001 - Diretor responsável pelo Portal CNB. {facebook#http://facebook.com} {twitter#http://twitter.com} {google#http://google.com} {pinterest#http://pinterest.com} {youtube#http://youtube.com} {instagram#http://instagram.com}
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