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Image captionHambúrguer feito com larvas, gafanhotos e grilos é a estrela do cardápio do Grub Kitchen

Aberto há poucos dias em St. David's, no condado de Pembrokeshire, o Grub Kitchen afirma ser o primeiro restaurante da Grã-Bretanha a servir um cardápio inteiramente à base de insetos.
Apesar de ser uma bizarrice nos países ocidentais, comer insetos é algo comum em vários países. E com a população mundial aumentando rapidamente e com uma demanda cada vez maior por carnes e peixes, as vozes que dizem que nossas dietas são insustentáveis também estão sendo mais ouvidas.
É de se entender, portanto, que ideias que antes eram consideradas radicais agora estão sendo encaradas com seriedade. O badaladíssimo chef dinamarquês René Redzepi já vem há anos exaltando as vantagens de se comer insetos em seu restaurante Noma, em Copenhague. E o Archipelago, em Londres, também oferece um bom número de pratos com essas “pragas”.
Mas será que as invenções do Grub Kitchen, que incluem homus de bicho-da-farinha, burritos de besouros e coquetéis com grilos, são a solução? Essas novidades deveriam fazer parte apenas dos reality shows ou será que elas podem ajudar a alimentar o mundo?
Para entender isso – e também saber que gosto esses pratos têm – decidi reservar uma mesa.

Ricos em proteínas e vitaminas


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Image captionA farofa de gafanhotos lembra o sabor de avelãs e dá mais textura à sopa, segundo autor

Escolhi como entrada uma sopa de pimentões e tomates grelhados com uma farofa de gafanhotos ao alho. Os olhinhos que me encaram debaixo de uma folha de manjericão são um pouco desconcertantes. Mas os insetos têm um agradável sabor parecido com o da avelã. E o fato de serem crocantes dá mais textura ao prato.
“Insetos oferecem uma ótima oportunidade para experimentar novas coisas com ingredientes que outros chefs não usam”, afirma Andy Holcroft, fundador e chef do Grub Kitchen. “Quero provar que eles podem ser saborosos e nutritivos, e podem ser uma fonte de proteína mais sustentável do que a pecuária intensiva.”
A Organização das Nações Unidas (ONU) acredita que até 2050 teremos mais 2,3 bilhões de pessoas no mundo, e que a demanda por ração animal vai aumentar em 70%.
Os preços de rações altamente proteicas à base de soja e peixe dispararam recentemente, e o setor pecuário já emite mais gases de efeito-estufa do que aviões, carros e todo o setor de transportes.
Os insetos poderiam ser a solução: eles são ricos em proteínas, gorduras, minerais e vitaminas. Um estudo publicado em 2013 na Holanda descobriu que grilos são duas, quatro e 12 vezes mais eficientes do que frangos, suínos e bovinos, respectivamente, em termos de quantidade de ração necessária para produzir uma determinada quantia comestível.
Essas criaturas também podem se alimentar de comidas que já venceram ou dos restos deixados pela agricultura, e requerem muito menos água e geram muito menos gases poluentes do que as culturas animais tradicionais.
O problema é: será que é possível convencer as pessoas a comê-los?

Adaptar o gosto



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Image captionPara chef, o mais difícil não é convencer pessoas a provar insetos mas sim voltar

O próximo prato a aterrissar na mesa é uma torta folhada de legumes da estação, grilos e bichos-da-farinha ao molho de vinho tinto. Confesso que apesar de me considerar aventureiro em matéria de gastronomia, eu instintivamente me sinto repugnado ao ver as larvas, que mais se parecem lombrigas.
Reações como essas dividem os outros comensais do Grub Kitchen. Lisa Reeves, professora em uma escola local, acredita que os gafanhotos são tão bons quanto bacon tostado. Já suas filhas, de 8 e 13 anos, discordam e se recusam a acompanhar a mãe na refeição.
Mas, como dizem alguns pesquisadores, nossos gostos e preferências podem mudar rapidamente. “Não faz muito tempo, o sushi era algo estranho e nojento para muitos ocidentais”, lembra o entomologista Peter Smithers, que estuda insetos comestíveis na Universidade de Plymouth, na Grã-Bretanha.
“Se explicarmos de maneira divertida e informativa que outros países se alimentam de insetos, muitos de nós pode ter vontade de experimentar”, conclui.
Em nome da Ciência, decido provar mais um prato – dessa vez a estrela do cardápio: o “Bug Burger”, feito de larvas-da-farinha, grilos e gafanhotos em uma focaccia, servido com polenta frita e maionese de alho com formigas. Para mim, parece um hambúrguer vegetariano, com uma gama de texturas e sabores mais interessantes.

Base para ração animal

Mas, apesar de eu ter gostado do prato, a sensação não necessariamente agradaria a maioria das pessoas. Por isso, muitos cientistas defendem que os insetos podem valer mais se forem usados como base para ração animal – ou seja, um nível abaixo na nossa cadeia alimentar.
Empresas em países como os Estados Unidos, o Canadá, a França, a Holanda e a África do Sul, estão estabelecendo grandes “criadouros” de insetos para gerar proteína que pode ser incorporada na alimentação de animais.
Em outras partes do mundo, os consumidores rejeitam menos a ideia de comer insetos. No Sudeste Asiático, as formigas são uma guarnição comum no arroz, enquanto na China elas povoam as sopas. Na Tailândia, uma iguaria bem apreciada é o gafanhoto empanado. Este mesmo inseto é torrado e servido com chilli e limão no México. E os aborígenes australianos são famosos por incluírem larvas de mariposa em suas refeições.
A verdade é que, segundo a Agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os insetos fazem parte da dieta de pelo menos 2 bilhões de pessoas em todo o mundo – e mais de 1,9 mil espécies são oficialmente usadas como alimentos.
Sopa com formigas na Colombia

Custos imprevisíveis

Atualmente, Holcroft e outros empresários que vendem alimentos à base de insetos na Grã-Bretanha estão restritos à versão seca desses animais, vindos da Holanda e do Canadá – países onde já se faz um cultivo sistemático em pequena escala.
A Grã-Bretanha permite o cultivo de insetos para o consume humano, mas ainda não se conhece nenhuma operação formal nesse sentido.
Muitos no país questionam se essa atividade pode ser rentável por causa do clima, e apontam para o atual preço dos insetos. O mais barato é o bicho-da-farinha – 1 quilo, no atacado, custa cerca de 45 libras (ou R$ 253), mais de dez vezes o preço de 1 quilo de carne moída. Grilos valem o dobro disso, e gafanhotos, quatro vezes mais.
É importante lembrar, no entanto, que o preço das carnes tradicionais deve aumentar no futuro. Mas é impossível calcular quanto pode cair o custo da proteína de insetos com a implementação de um cultivo em escala industrial.
Enquanto isso, Holcroft espera atrair um número suficiente de curiosos para tornar o Grub Kitchen um negócio de sucesso. “O principal desafio não é convencer as pessoas a provar insetos, mas sim fazê-las voltar”, diz.
Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Future

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Pr. Antonio Romero Filho

{picture#http://imagizer.imageshack.com/img922/3226/HlUzqY.jpg} Presidente da Assembleia de Deus - Ministério de São Lourenço - MG - Brasil. Fundador do CIM - Centro Internacional de Missões. Pioneiro de Missões do Ministério de Taubaté - SP - 1981/2001 - Diretor responsável pelo Portal CNB. {facebook#http://facebook.com} {twitter#http://twitter.com} {google#http://google.com} {pinterest#http://pinterest.com} {youtube#http://youtube.com} {instagram#http://instagram.com}
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