Nos EUA há grande movimentação das lideranças pentecostais e envolvimento dos membros da diversas denominações, no sentido de promover cultos comemorativos e de gratidão, congressos, workshops, lançamentos de livros etc, para lembrar nesse mês de abril, o aniversário de 110 anos do histórico reavivamento da Rua Azuza em Los Angeles. Aqui, pelo Brasil, essa data emblemática para o pentecostalismo mundial, vai passar silenciosa, ao que tudo indica.
O reavivamento começou no dia 6 de abril de 1906, na casa de Richard e Ruth Asberry na Rua Bonnie Brae, 244 em Los Angeles – Califórnia – EUA. Ficou conhecido como reavivamento da Rua Azuza, porque tiveram que se mudar da pequena casa onde os primeiros foram batizados no Espírito Santo, para um galpão na Rua Azuza para abrigar a enorme quantidade de pessoas que para lá acorriam, sedentos por receber o Espírito Santo. Ali deu-se o evento que segundo Sidney Ahlstrom, historiador da Universidade de Yale, revelou um dos grandes líderes norte-americanos: William Seymour.
O reavivamento da Rua Azuza foi o grande catalizador dos movimentos Pentecostal e Carismático que posteriormente vieram a expandir-se mundo afora, de forma rápida e contagiante como um fogo abrasador.

Crescimento fenomenal

Com pouco mais de um século, hoje, igrejas/denominações pentecostais marcam o cenário religioso e constituem o mais dinâmico e crescente segmento do Cristianismo.
Nos EUA, em 1980 o Instituto Gallup ressaltou o espantoso crescimento do Pentecostalismo, publicando pesquisa na revista “Christianity Today”. Tal pesquisa apontou que 19% da população total norte-americana – ou aproximadamente 50 milhões de pessoas – identificavam-se como Pentecostais ou Carismáticos.
Logo mais, em 1998 a revista Newsweek, também publicou pesquisa demonstrando que 47% dos entrevistados afirmavam ter tido uma experiência pessoal com o Espírito Santo. Entre os evangélicos esse número saltava para 75%. Esse crescimento fenomenal é que levou o teólogo Harvey Cox a afirmar que o Pentecostalismo está “remodelando a religião no século 21”.

O que Azuza tinha que a igreja precisa

1 – Desejo ardente por Deus
As pessoas que acorriam para a Rua Azuza eram guiadas por um apetite insaciável – não para conhecer a respeito de Deus, mas para conhecer o próprio Deus; não para ouvir a respeito de Deus, mas para ouvir o próprio Deus. Elas queriam conhecer ao Senhor na sua plenitude, daí o termo “Evangelho Pleno”.
Na Missão da Rua Azuza, homens e mulheres podiam experimentar o poder ao receber o batismo no Espírito Santo e a presença marcante de sinais e maravilhas, conforme Atos 2:4.
2 – Amor uns pelos outros
O reavivamento da Rua Azuza testemunhou o desmoronamento de barreiras que normalmente dividiam as pessoas umas das outras. A barreira da cor da pele, da classe social, da condição financeira, da educação, da nacionalidade e até da cultura. Liderada pelo pastor William Seymour, negro e cego de um olho, a Missão da Azuza agregava pessoas das mais diversas classes sociais, numa época de enorme segregação racial nos EUA. Vale lembrar que isso tudo décadas antes de eclodir por lá, o Movimento pelos Direitos Civis.
Esse aspecto multirracial e multicultural do movimento pentecostal fica como lição para as igrejas ainda hoje.
3 – Dedicação para missões
O batismo no Espírito Santo, tal como entendido na Azuza, não era simplesmente uma experiência pessoal como outra qualquer. Tinha o claro propósito de receber poder para servir. É de vital importância esse entendimento, na medida que alguns podem buscar apenas como uma experiência egoísta e não como algo que vai capacitá-lo com ousadia e poder para testemunhar pelo mundo afora.
Missões e o envio de missionários era o motivo central da existência do reavivamento da Rua Azuza, conforme a primeira edição do informativo interno “A Fé Apostólica” (Setembro/1906). A partir de lá surgiu verdadeiro fluxo de missionários, pastores e obreiros comprometidos e motivados em levar o Evangelho onde Deus mandasse.

O desafio da legitimidade histórica

Há críticos do Pentecostalismo que apontam como um movimento ainda incipiente que carece de amadurecimento, e praticamente sem história; se comparado à Igreja como entendemos, com mais de dois mil anos.
Para o desafio da legitimidade histórica, há alguns que defendem o movimento Pentecostal numa abordagem restauracionista. Sua posição é de se assumir como representantes da restauração da pureza e do poder da igreja apostólica do primeiro século.
Fato é, que o movimento Pentecostal tem legitimidade histórica. Sua história se confunde com a de outros movimentos de reavivamento e renovação espiritual que emergem constantemente na vida da Igreja.

O terremoto

Em abril, houve um grande terremoto em São Francisco, Califórnia, que destruiu mais de 80% da cidade e matou mais de três mil pessoas. O Reavivamento da Azuza foi uma espécie diferente de terremoto. Um terremoto espiritual que ainda sacode o mundo.
Aqueles tremores ainda ressoam nas gerações atuais, que tem sido abençoadas desde aquela primeira fagulha. Hoje ultrapassam os setecentos milhões de pessoas ao redor do mundo, cheias do Espírito Santo e capacitadas com ousadia e poder para levar as Boas Novas onde for preciso e o Mestre mandar.
Que  os pentecostais reflitam sobre sua origem e o futuro que tem sido determinado por suas ações no presente.


Fonte: Gospelprime

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Pr. Antonio Romero Filho

{picture#http://imagizer.imageshack.com/img922/3226/HlUzqY.jpg} Presidente da Assembleia de Deus - Ministério de São Lourenço - MG - Brasil. Fundador do CIM - Centro Internacional de Missões. Pioneiro de Missões do Ministério de Taubaté - SP - 1981/2001 - Diretor responsável pelo Portal CNB. {facebook#http://facebook.com} {twitter#http://twitter.com} {google#http://google.com} {pinterest#http://pinterest.com} {youtube#http://youtube.com} {instagram#http://instagram.com}
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