Um dos aspectos mais instrutivos desta última fraqueza é dar-se conta de que através dos séculos os povos que mais perseguiram aos cristãos foram aqueles que foram evangelizados, mas nunca tiveram as Escrituras em sua própria língua. Os hunos, árabes, berberes, curdos, persas, turcos, mongóis, todos ouviram algo do evangelho e alguns o aceitaram, mas estes povos mais adiante se converteram em um açoite da igreja cristã. Alguns deles se tornaram nomes de clãs aterradores para os cristãos, tais como os uigures, que mais tarde se tornaram parte da Horda Dourada Mongol, e de quem se deriva a palavra “ogro”. Considere:

O preço de não prover as Escrituras

1. Árabes. Houve cristãos entre os árabes por cinco ou mais séculos antes da chegada do islã, mas em geral o cristianismo era visto como uma religião dos gregos dominantes do noroeste da Arábia, dos persas do nordeste e oeste da Arábia, e dos etíopes do sul da Arábia. As Escritura e liturgia utilizadas (note as implicações para a oralidade - Ed.) não estavam em árabe. Maomé morreu em 632, mas a Bíblia só foi traduzida em árabe entre 680 e 750. Quão diferente nosso mundo poderia ter sido se Maomé tivesse conhecido o conteúdo da Bíblia em árabe?

2. Persas. A igreja do Oriente gradualmente causou impacto na Pérsia zoroastrista, e quando ocorreu a invasão muçulmana de 636 o cristianismo estava a ponto de converter-se na religião majoritária; mas, embora essencialmente houvesse uma igreja persa, ainda usavam a liturgia e as Escrituras siríacas. As Escrituras persas pahlavi foram traduzidas por volta de 1350, um milênio mais tarde, e perto da época quando Tamerlão, o governante tártaro-muçulmano da Pérsia, começou seu rompante pela Ásia central e ocidental para destruir a todos os cristãos. Até hoje o governo islâmico do Irã tenta evitar o uso do persa nos cultos de adoração cristãos, porque não é o idioma cristão.

3. Berberes do norte da África. A igreja do norte da África era uma das mais fortes nos primeiros séculos, mas funcionava em latim, não nas línguas berberes. As Escrituras não foram traduzidas até o século XX. Os árabes dizem que foram necessárias 10 guerras contra eles para finalmente torná-los muçulmanos. Porque o cristianismo não estava aculturado, e sem documentos escritos nos seus idiomas nativos, os berberes perderam todas as lembranças de sua herança cristã. Os berberes tuareg ainda praticam cerimônias e usam a cruz que eram originalmente cristãos, mas não sabem o significado nem a origem destes.                                                                         
Os berberes mouros chegaram a ser um dos principais componentes dos exércitos islâmicos que conquistaram a maioria da Espanha e a governaram por 800 anos. Depois da tradução das Escrituras em kabyle (idioma berbere da Argélia), e do redescobrimento de como os árabes e o islã violaram sua cultura, houve nos últimos 20 anos uma impressionante volta a Deus entre eles, e seu número talvez tenha alcançado 50.000 crentes.

4. Turcos. Algumas tribos turcas da Ásia central chegaram a ser parcialmente ou quase completamente cristãs nestorianas por vários séculos. Tinham só pequenas porções das Escrituras, e finalmente se converteram ao islã. Houve terríveis resultados para o Ocidente: a conquista do império romano cristão bizantino entre 1071 e 1253, e a invasão da Europa oriental e central nos séculos subseqüentes. O império turco foi uma superpotência por 800 anos.

5. Mongóis. Algumas tribos mongóis tinham minorias cristãs antes do tempo de Gengis Khan. Na verdade, o próprio Gengis Khan se casou com a filha de um Khan nominalmente cristão da tribo kerait, mas os mongóis se tornaram budistas no oriente e muçulmanos no ocidente de seu gigantesco império. Há pouca evidência de algum escrito cristão em mongol.

O inverso disto aconteceu em qualquer lugar onde um impulso missionário resultou em uma tradução das Escrituras logo no início, e com a absorção de seu conteúdo na cultura, a luz do evangelho raramente foi extinta mesmo quando surgiu terrível perseguição, como por exemplo entre armênios, georgianos, coptos do Egito, etíopes e russos.

Lições a serem aprendidas desta história


     Qualquer corpo de cristãos que ignora isto aflige ao Espírito Santo, e abre a porta para a mortandade espiritual e finalmente o declínio para outro sistema de crença ou de descrença. O comprometimento em obedecer a Grande Comissão não é um opcional a mais, mas é fundamental para a saúde e o crescimento da igreja cristã.

A tradução e aculturação das Escrituras em toda língua onde há uma resposta ao evangelho é um requisito prévio fundamental para a permanência do cristianismo através de muitas gerações. Note o diagrama em anexo que mostra como o desenvolvimento progressivo dos comandos da Grande Comissão trabalha em conjunto com a aculturação e o uso das Escrituras. Em tempos modernos isto requer que se dê prioridade à tradução da Bíblia e aos programas de alfabetização para todas as culturas que não têm as Escrituras em sua língua do coração.

Ao encarar os desafios do ministério do século XXI, a tradução da Bíblia e a assimilação de suas verdades salvadoras e santificadoras em todas as culturas do mundo e o equipamento das igrejas locais para proclamar e praticar estas verdades devem ser nossa primeira prioridade ministerial. No passo que temos ido na iniciação de equipes em línguas que não têm a Bíblia, a tarefa ainda não terá terminado até o fim do século XXI. Levantemo-nos e terminemos a tarefa!

Fonte:  http://www.wycliffe.net/

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Pr. Antonio Romero Filho

{picture#http://imagizer.imageshack.com/img922/3226/HlUzqY.jpg} Presidente da Assembleia de Deus - Ministério de São Lourenço - MG - Brasil. Fundador do CIM - Centro Internacional de Missões. Pioneiro de Missões do Ministério de Taubaté - SP - 1981/2001 - Diretor responsável pelo Portal CNB. {facebook#http://facebook.com} {twitter#http://twitter.com} {google#http://google.com} {pinterest#http://pinterest.com} {youtube#http://youtube.com} {instagram#http://instagram.com}
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